
Baiana mais antiga (de idade) da Unidos do Porto da Pedra, desfilando pela escola há 14 anos, Dona Ilydia mostra que é uma das garras do Tigre.
Desde criança envolvida com o carnaval, ela participava dos desfiles da Azul e Rosa, do morro do Salgueiro, como conta em entrevista exclusiva à coluna Por Onde Anda do Sarau do Skindô.
- Eu saí no Salgueiro quando era criança, muito nova, no tempo que era Azul e Rosa, lá em cima no terreiro grande, isso era antes do Acadêmicos do Salgueiro. Juntamos com outras do morro do Salgueiro e veio o Acadêmicos do Salgueiro que hoje é vermelho e branco. Morei lá em cima muito tempo, a minha mãe era da ladeira, eu ia pro terreiro ensaiar, eu pegava a bandeira, eu dançava, saí um ano no mirim pra cumprimentar a delegacia, o distrito, na época tinha que correr o livro. Mas lá no Salgueiro, eu vivia dentro do terreiro, era terra batida nos tempos do Azul e Rosa. Fui também com o Salgueiro pro Guarujá fazer um show da Xica da Silva.
Declarando seu amor pela vermelho-e-branco de São Gonçalo, D. Ilydia se emociona:
- Meu marido não deixava eu frequentar as escolas, mas quando ele faleceu, a primeira coisa que eu fiz foi cair no samba. Eu adoro, e se estou hoje no Porto da Pedra é por que eu fui muito bem recebida.
Só me aposentei em 90, aí vim morar em São Gonçalo e só vim morar no Porto da Pedra por que eu queria vir pra perto da escola, aí foi quando eu tornei a desfilar. Desfilei em muitas escolas pequenas, o Boêmio, o Dragão, Sossego por dois anos, mas saindo no Porto da Pedra, não posso deixá-la pra ir nas outras escolas. Daqui eu vou até Deus me chamar. Me dou muito bem com as baianas, todos me tratam muito bem aqui. Aqui é minha casa!
Recordando o carnaval de 1995, quando ela começou na Porto da Pedra campeã do grupo de acesso, subindo pela primeira vez para o Especial, com o enredo "Campo-Cidade, em Busca da Felicidade", a anciã das baianas agradece o carinho da presidente da ala das baianas (Sandra) e afirma existir preconceito dos jurados.
- Sempre fui muito feliz na Porto da Pedra, acho que cheguei dando sorte em 95, mas agradeço à Dona Sandra, uma guerreira, ela adora as baianas, se desdobra, se dedica demais às baianas, se eu sou a vó das baianas, ela é a mãe.

Dona Ilydia posa ao lado dos instrumentos da bateria
Em 97 também foi um grande momento da escola, foi uma surpresa o 5º lugar, mas agora as coisas não andam boas.
A Porto da Pedra é uma criança, ainda não cresceu, então muita gente censura, mas acontece que tudo tem a sua hora. A nossa hora vai chegar, posso nem estar aqui pra assistir, mas vai chegar. Sempre tem um preconceito com escolas que estão subindo. Ainda não entendo o rebaixamento do Império ano passado.
Falando sobre o próximo carnaval, ela se mostra otimista e lembra o centenário de Noel Rosa.
- O legal deste ano é que o enredo também homenageia Noel Rosa, ele fez parte da minha vida, quando ele faleceu eu morava em Vila Isabel. A gente sempre canta uns sambas dele quando vamos ao clube todo fim de ano em uma homenagem aos aposentados.
Em 2010, a Porto da Pedra está pronta pra voltar no sábado das campeãs, talvez com o troféu na mão. Mas nem que a gente não ganhe, vamos estar entre as cinco primeiras. Só não podemos sair do Grupo Especial. Mas pelos comentários, pelo que eu vi lá no barracão, o carnaval está preparado. Eu peço ao meu orixá (Xangô) que a Porto da Pedra ganhe, é um sonho.
Força à Unidos do Porto da Pedra, que em 2010 traz para a avenida o enredo "Com que Roupa eu Vou ao Samba Que Você me Convidou?" e aos companheiros do Sarau do Skindô, até a próxima!