Meus amigos, saudemos a Estação Primeira de Mangueira, que tem para o próximo carnaval um enredo rico e poético: A Música do Brasil.
É de extrema importância que a escola apresente um enredo no qual se identifique e faça sua comunidade se sentir a vontade. Numa dessas ocasiões, o carnavalesco Milton Cunha lembrou o carnaval em que a Imperatriz Leopoldinense homenageou Chacrinha e o bacalhau norueguês. "As baianas cantavam sem graça e desmotivadas sem saber do que estavam falando", disse Milton. Quando o assunto é Mangueira, isso fica explicito.
Analisando a hitória recente da agremiação (dos anos 90 pra cá), podemos perceber a intimidade dos mangueirenses com a pátria e enredos relacionados com a música e o povo brasileiros. Em 1994, com o Tropicalismo de 'Atrás da Verde-e-Rosa só Não Vai Quem Já Morreu', em 98 com 'Chico Buarque de Mangueira' e em 99 com 'O Século do Samba', a Estação Primeira esteve de corpo e alma na Sapucaí e, não hesito em dizer, de maneira memorável.
Nos anos 2000 a Verde-e-Rosa alcançou o sonhado título (o 18º, no ano 2002) homenageando o povo do Nordeste, suas crenças e tradições. Tentou repetir a dose em 2008, saudando os 100 anos do Frevo Pernambucano, enquanto o, também centenário, Cartola seria lembrado apenas em uma alegoria. Pecado mortal! Pegou uma chuva forte na hora do desfile, por ironia ou castigo dos deuses, e acabou por amargar um 10º lugar. Recuperou-se em 2009, falando dos 'Brasis do Brasil' e mostrando a garra de sua comunidade, após superar a crise que afetara o barracão e retornar no sábado das campeãs.
Em 2002, a 'Nação do Nordeste'
Para 2010 a Mangueira trocou de presidência e vem renovada com outro enredo que é 'a sua cara', prometendo brigar pelo 19º título.