As cinco grandes de 1960 - parte II

No ano de 1960, assim como em 2010, toda a cidade aguardava apenas a confirmação da grandessíssima campeã na quarta-feira de cinzas. No caso de 2010, os jurados apenas confirmaram o que todo o povo já sabia: a Unidos da Tijuca seria a campeã. No caso de 60 todos aguardava o Salgueiro despontar como a escola vencedora, após o magnífico desfile que mostrava Zumbi e seu Quilombo dos Palmares, contando até com o melhor que havia nos grupos tocadores de ogãs de couro nos terreiros dos subúrbios. Mas os jurados apontaram a Portela como a grande campeã do carnaval, deixando a Estação Primeira em segundo e o aclamado Salgueiro em terceiro.

Baianas fantasiadas de escravas

O grande fator causador de protestos foi a perda de 15 pontos por Mangueira e Portela por atraso no desfile. Tais pontos foram ignorados pelo juri, causando a revolta dos salgueirenses.

Natal da Portela, sabendo que o carnaval de sua escola seria arruinado quando o Departamento de Turismo recebesse e, certamente, acatasse ao protesto da Vermelho-e-Branco da Tijuca, propôs aos presidentes da Mangueira, Unidos da Capela e Império Serrano que o título de campeã do carnaval fosse dividido entre elas e o Salgueiro, que formavam o eixo das cinco grandes da época. Nelson Andrade, presidente do Salgueiro, aceitou a proposta, o que deixou no morro tijucano num misto de sentimentos. Alguns comemoraram e outros protestaram.

Até hoje, no morro, quando se fala no carnaval de 60 concebido por Pamplona, o clima é de 'ganhou mas não levou'.

O grito finalmente foi solto em 63 com a Xica da Silva, mas o título que o Salgueiro tem de 60 é de único campeão moral.

As cinco grandes de 1960

Ah, meus companheiros, que prazer abrir a semana do carnaval com o primeiro vídeo no Sarau do Skindô. E como essa é a semana gorda, vamos usar todo esse período de folia para lembrar um dos maiores infortúnios já ocorridos nos desfiles do Rio de Janeiro: o carnaval de 1960.

Afinal, qual escola foi a campeã de 1960? Acadêmicos do Salgueiro ou Unidos da Capela? Estação Primeira ou Império Serrano? Pois ficou com Natal a missão de sugerir a partilha do primeiro lugar entre essas quatro escolas e mais a sua Portela.

Talvez o mais prejudicado mesmo tenha sido o Salgueiro com aquele deslumbrante desfile de Quilombo dos Palmares. E foi realmente o Salgueiro que mais reclamou o resultado. Afinal, ganhou mas não levou, digo, levou mas levou um pedacinho.

Ainda houve o polêmico desfile das cinco grandes em Madureira, mas ainda falaremos sobre isso.

O mar de fiéis

Ah, meus companheiros é com prazer que lhes informo que um dos arrepios que eu tive nessa temporada de carnaval foi no ensaio da Imperatriz Leopoldinense, com aquele samba que já cansou de receber elogios feito pelo Guga e seus parceiros Gil, Jeferson, Flavinho e Me Leva. Não há como não se emocionar quando seus ouvidos deixam de ouvir a bateria e nem percebem que ela parou de tocar, pois seus olhos estão perplexos diante daquele mar de gente de mãos para o céu e de peito aberto cantando:

"A Imperatriz é um mar de fiéis
No altar do samba em oração"

Ou ao menos se emocionará com a singeleza da porta-bandeira que pára diante da pequena bandeira pintada a mão no palco com a inscrição "1980" e coloca o punho cerrado sobre o seio suado e, cheia de orgulho da sua escola, como se estivesse certa do título canta:

"A fé enche a vida de esperança"

Ainda houve tempo de perceber os olhos cheios d'água do cantor Elymar Santos quando a escola passava em um ensaio com ritmo de desfile. E que desfile!

Não resta dúvida de que a Imperatriz Leopoldinense resgatou o orgulho dos seus componentes e emocionará semana que vem, quando desfila na Marquês de Sapucaí.

Só posso chamar de louco o próximo indivíduo que ousar afirmar que a Leopoldina é uma escola fria.