Neste domingo, matei a saudade. Acho que finalmente entoei meu grito de carnaval de maneira digna. Até encontrei amigos do nosso Sarau por lá. Estive no baile do Bloco Saco do Noel, de Vila Isabel, claro. O baile era à fantasia, com confete e serpentina. É um desses lugares que valem o ingresso.

Os compositores Rafael Zimmermann, Guilherme Salgueiro e Márcio Hilário apresentaram o samba concorrente que foi à final na Unidos de Vila Isabel. O dito 'campeão moral'. Foi como um presente pra quem torceu pela parceria durante as eliminatórias. Os compositores ainda relembraram sambas antigos e, francamente, não foi como relembrar um samba em um bloco qualquer, foi diferente, foi de arrepiar. Esse bloco é especial. A Vila é especial.
Dois dias se passaram e lá estava eu na Vila de novo. Dessa vez no ensaio de rua que fechou a 28. Agora não encontrei só amigos do Sarau, mas também os novos amigos do Saco do Noel e, outra vez, algo de diferente aconteceu, afinal, não dá pra lembrar do poeta em outro lugar que não seja a Vila. Ao som do samba do Martinho, senti de novo um nó na garganta, o que me faz pensar que desfilar por Noel em 2010 será uma das maiores emoções possíveis.
Como diria o próprio: 'a Vila tem um feitiço sem farofa, sem vela e sem vintém, que nos faz bem...'
É esse feitiço que nos apaixona cada vez mais. É o feitiço que faz os compositores perdedores aplaudirem o samba do Martinho. É o feitiço que causa-nos os arrepios, os delírios, os risos, os choros, os aplausos. Talvez seja também esse feitiço que faça os torcedores da Mangueira, da Portela, do Salgueiro, no fundo, torcerem por ela. É o feitiço da Vila.
Em 2010 eu sou de Vila Isabel... E quem não é?