A segunda pele do folião

A fantasia é uma coisa que o indivíduo tira no carnaval e usa nos outros dias por toda a vida. Aprendi isso com um amigo e custei a compreender a veracidade dessa frase.


Desde as primeiras festividades de carnaval, é indescritível a maneira com que as pessoas sentem-se a vontade fantasiadas. Parece que dentro da fantasia, o pierrot consegue recuperar sua essência e ser ele mesmo, nem que seja durante quatro dias por ano. Assim também são as colombinas, palhaços, arlequins, travestis e super-heróis. Como revelar que você é um super-herói durante o ano? Como revelar que você tem filhos pra criar e vira-se com um salário mínimo se você trabalha em um escritório ouvindo as ordens e gritos do seu chefe? Super-heróis não trabalham em escritórios e não ouvem gritos. Só no carnaval você pode andar livremente fantasiado sem se sentir um completo patife.

Cabe aqui o depoimento pessoal de quem trabalha em um barracão de fantasias e ajuda a conceber a segunda pele de alguns foliões. A sensação de ver a fantasia nascer, alguns dias depois tomar forma e, no carnaval, estar sobre uma figura infinitamente sorridente e calorosa é uma das melhores sensações por mim já experimentadas.

No carnaval, cada um de nós colocaremos a fantasia que nos convier e botaremos nosso sarau na rua, com palhaços, colombinas, travestis e super-heróis. Até a próxima.